sexta-feira, 18 de outubro de 2013

2013: Ano Internacional da Cooperação pela Água

Por Larissa Relva

         Você consegue imaginar a vida sem água? Não, certo? De fato, esta substância é essencial para a sobrevivência de todos os organismos vivos, bem como para o funcionamento dos ecossistemas, comunidades e economias. Portanto, é imprescindível que ela esteja disponível não só em quantidade adequada, como também com qualidade apropriada.
           A água é um recurso renovável. Contudo, a água doce disponível para consumo – ou seja, com a qualidade adequada para que possa ser empregada para os diversos fins em que é requerida – é limitada. Fatores como o uso ineficiente da mesma, a exploração irresponsável das reservas de águas subterrâneas e a poluição da água reduzem cada vez mais a disponibilidade deste recurso vital.
            Ademais, a disponibilidade da água doce no planeta não é uniforme. Conforme consta no Relatório do Desenvolvimento Humano de 2006, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), cerca de um quarto das reservas de água doce mundiais encontram-se no Lago Baikal, localizado na escassamente povoada região da Sibéria. A América Latina – com 31% dos recursos universais de água doce – tem 12 vezes mais água por habitante do que, por exemplo, a Ásia do Sul. Enquanto a escassez de água é intensa em regiões do Médio Oriente, tal recurso é abundante em países como Brasil e Canadá.
              Mesmo no interior dos países há grandes disparidades de distribuição interna de água potável. No Brasil, a maior parte das reservas de água doce encontra-se na região Norte – mais especificamente na Bacia Amazônia –, região de baixa concentração populacional em comparação às regiões Nordeste, Sul e Sudeste, nas quais se encontram menores reservas do recurso. 
             
Vista do Rio Amazonas, constituinte da Bacia Amazônica.
Fonte: Portal Brasil.
          Os números preocupam: segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), atualmente 783 milhões de pessoas não têm acesso à água potável e 85% da população mundial habita a metade mais seca do planeta. Além disso, segundo o supracitado Relatório do Desenvolvimento Humano de 2006 (PNUD), há possibilidade de que, no ano 2025, mais de 3 bilhões de pessoas vivam em países sujeitos a pressão sobre os recursos hídricos.
        Em meio a este cenário, a ONU definiu 2013 como o Ano Internacional da Cooperação pela Água. A cooperação é fundamental, pois o trato de temas relativos à biosfera requer a compreensão do caráter sistêmico da mesma. Ações tomadas em determinada localidade afetam as bases de bens naturais de outras - nem a água e nem a poluição se limitam a fronteiras políticas.
            A cooperação pela água refere-se ao engajamento dos agentes sociais – setores público e privado, governos, formuladores de políticas, cientistas, especialistas, sociedade civil e organizações não governamentais e internacionais – em prol de melhores gestão e gerenciamento da água potável, para que esta possa atender às necessidades de todos.
Caixa de texto: Divulgação.
        Dessa forma, merecem estímulo as abordagens da cooperação pela água que sejam inovadoras e adequadas aos níveis local, nacional, regional e internacional. A ampla participação de cidadãos na tomada de decisões, a realização de debates abertos sobre questões relativas aos recursos hídricos e o estabelecimento de comissões e acordos internacionais são de grande valia. Interessante é também perceber a cooperação pela água como uma oportunidade de reforço do diálogo entre comunidades e nações e reconciliação entre as que enfrentam tensões políticas. 



Logo do Ano Internacional da Cooperação pela Água (ONU).
Divulgação.
 Adicionalmente, é oportuno ressaltar que o consumo da água potável deve ser realizado de maneira consciente. Tendo em vista que a água é um bem compartilhado pela comunidade global, a irresponsabilidade no uso da mesma por determinada população acarreta prejuízos a outras populações e ecossistemas. Os padrões de consumo da água potável devem ser ajustados, de maneira a permitir a distribuição equilibrada e justa do recurso, respeitando os limites ambientais. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário