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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Rio+Tóxico: A cidade Escondida

As visitas foram realizadas entre 15 e 17 de junho e participaram quase 300 “turistas” brasileiros e estrangeiros. A intenção do projeto Rio+Toxico era aproveitar que os olhos do planeta estavam virados para o Rio de Janeiro durante a Conferência das Nações Unidas para Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, para sensibilizar a população sobre as lutas socioambientais que estão, obviamente, fora dos cartões postais da cidade eleita Patrimônio Mundial como paisagem cultural pela Unesco.

Contudo, as atividades não são ações isoladas: fazem parte do processo de apoio às comunidades que já acontece há anos e têm o objetivo de criar mais redes de solidariedade e apoio, fortalecendo as resistências a grandes empreendimentos tóxicos instalados na região.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

As áreas verdes desprotegidas

Para entender o problema, leia a matéria publicada no jornal O Globo, no dia 11/05/2012: 

Sinceramente, não vejo nenhuma área verde desprotegida nessa imagem. Só pessoas desprotegidas, procurando abrigo. 

Segundo a matéria "Enseada de Botafogo, Aterro do Flamengo e Campo de Santana. Três áreas de lazer, com muito verde que poderiam ser um cenário digno de boas recordações para visitantes que conhecerão a cidade durante a Conferencia das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontecerá no mês que vêm. Mas os belos cartões postais tem ao menos um triste ponto em comum: estão tomadas por moradores de rua. Boa parte deles usa o espaço para consumo de drogas, espantando cariocas e turistas. [...]"

É o mesmo que dizer: - Essas pessoas, que tem fome, frio, não tem onde morar e nem perspectivas de vida, estão enfeiando o cartão-postal que eu gostaria de mostar aos que visitam minha cidade.

É um julgamento muito injusto e até mesmo cruel. A situação ainda piora, quando a conferência sobre meio ambiente Rio+20 é mencionada. Com certeza, quem escreveu tal notícia, não compreende bem as questões ambientais, e nem o significado que a conferência tem (ou, deveria ter).

Um "mundo sustentável" de fato, não deve incluir um pensamento no qual a estética de um ponto turístico vale mais que o bem estar e a proteção dos seres humanos que, por ventura, se abrigam nestes. 

Alguns podem pensar, até mesmo, que esta discussão sobre moradores de rua não tem nada a ver com meio ambiente (afinal não estamos falando nem de árvores, nem de reciclagem, nem de animais em extinção), mas tais pessoas, pertencentes ao grupo de excluídos sociais, são justamente as que mais sofrem com os impactos ambientais e com as externalidades dos processos produtivos. É, portanto, lógico que elas fossem um dos principais pontos da discussão iniciada hoje, na Conferência. Ou será que essas pessoas não tem espaço na tão alardeada Economia Verde?
" Quando, por exemplo, a produção de uma empresa afeta o padrão de vida de uma população de forma negativa, sem que estas participem dos lucros auferidos por essa produção, dizemos que esta produção possui externalidades"
É claro que essas pessoas não devem permanecer em tais lugares, mas elas não podem ser tratadas como uma ameaça iminente, que espantam  turistas e moradores. Espantoso é a falta de sensibilidade da maioria das pessoas.

Por Ana Eliza Martinho

O boletim de Junho, está trazendo uma discussão sobre a "apropriação" dos recursos naturais. A quem pertence a natureza? Nos dê sua opinião, nos comentários abaixo, ou na nossa página no Facebook.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sobre a cegueira, a surdez e qualquer outro problema ambiental

Texto escrito por Roberto Novaes, graduando em Ciências Biológicas pela UFRJ, e postado no blog " E Esse Tal de Meio Ambiente?"

" [...]Os piores problemas ambientais que existem não são a fragmentação ou destruição de hábitats, a poluição aquática excessiva ou as emissões cavalares de carbono na atmosfera. Os piores problemas ambientais são a cegueira, a surdez e a mudez. Porque não é possível que uma pessoa com mínimo senso crítico e que ande pelas ruas de qualquer grande centro urbano, como o Rio, não perceba que as coisas não estão indo bem.



Os surdos não escutam o barulho enlouquecedor gerado pelas buzinas dos carros em um trânsito lento. Eles não sentem falta de ouvir sons diferentes dos habituais motores e vozes humanas. Os surdos não sentem a falta de ouvir a voz de alguns de seus parentes, como as aves, os morcegos, os macacos. Eles não escutam, logo, não compreendem que aquilo não é normal e que estamos vivenciando alguma coisa diferente do que nossos genes dizem que devemos viver. Mas tudo bem, não é culpa deles serem surdos.

Os cegos não veem que o horizonte tem uma cor pálida, embaçada. Eles não veem que a maior parte dos morros e serras que o cercam ou tem uma série de casas humildes empilhadas ou tem uma coloração fosca e uniforme. Os cegos não percebem que esses morros estão estáticos e vazios, sem vida e futuro. Os cegos não veem a fumaça dos veículos e das indústrias. Mas ninguém quer ser cego, não é culpa deles.

Os mudos são os piores, tadinhos. Eles veem os problemas, enxergam a magnitude e alcance de seus atos e de seus irmãos. Os mudos escutam os barulhos paranóicos de uma cidade grande, entendem o caos de uma sociedade próxima ao colapso. Os mudos percebem tudo o que está acontecendo, muitos sabem até o que fazer pra resolver. Mas coitadinhos dos mudos. Eles não podem falar, não podem contar pras pessoas o que veem e escutam. Não podem transmitir seus conhecimentos pras novas gerações. Uma pena! [...]Políticos surdos, população cega e ecologistas mudos!"

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mapa Social apresenta "cartografia dos excluídos"

Por Maurício Hashizume
Fonte: Repórter Brasil

Ainda não foi desta vez que o 13 de maio, data que marca a Abolição da Escravatura, foi comemorado com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, que prevê o confisco da propriedade de quem for flagrado explorando trabalho em condições análogas à escravidão.


Enquanto a chamada PEC do Trabalho Escravo não é aprovada, a agencia Repórter Brasil segue no esforço de trazer à tona questões e contextos sociais alarmantes em curso nas mais diferentes partes do país - em todos os seus mais variados aspectos, elaborados a partir de incursões in loco dos integrantes da organização e acompanhados de dados, estatísticas e análises elaboradas gentilmente com a colaboração de entidades parceiras.

O Mapa Social reúne conteúdos disponibilizados nos formatos de textos, fotos, vídeos e infográficos que tratam de cada uma das cinco regiões sob perspectivas singulares e, ao mesmo tempo, complementares.

As cinco grandes reportagens que compõem a base do especial tratam:

da persistência da pobreza por trás das libertações de trabalho escravo (Sul).

Como complemento, são apresentados cinco infográficos com visualizações a respeito :
das informações relativas à miséria no Brasil.

Para conferir o resultado do trabalho como um todo, basta acessar o site da iniciativa: www.reporterbrasil.org.br/mapasocial

terça-feira, 8 de maio de 2012

Não há sustentabilidade sem paz

Por André Trigueiro, Revista GQ, maio 2012

É impressionante o volume de recursos que a indústria armamentista movimenta no Brasil e no mundo. O que sobra para armas e munições, falta para o desenvolvimento sustentável.

A Universidade de Heildelberg – a mais antiga da Alemanha – revela a cada ano a quantidade de guerras em andamento no planeta. Em 2011 o número de conflitos internacionais triplicou e alcançou o nível mais alto desde 1945. De acordo com o levantamento, existiriam hoje no mundo 20 guerras e 166 conflitos armados. E a tendência em 2012, ano da Rio+20, seria esse número crescer ainda mais. Boa parte dos países que se reunirão no Brasil em junho para debater os rumos do desenvolvimento sustentável participam ativamente dos chamados “jogos de guerra” auferindo lucros fabulosos com a venda de armas, munições e toda sorte de artefatos bélicos para clientes nem sempre identificados com clareza pelos respectivos governos.

Na condição de anfitrião, o Brasil não faz feio no ranking dos países que mais exportam armas. Dados apurados pela Agência Pública de Reportagem e Jornalismo Investigativo junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, revelam que o valor das exportações de armas leves triplicou entre 2005 e 2010, chegando a US$ 321,6 milhões. Foram quase 4,5 milhões de armas exportadas no período. O Exército se nega a informar detalhes sobre os negócios, mas a informação sempre aparece, ainda que de forma acidental. Foi assim quando se descobriu que minas terrestres de fabricação brasileira foram usadas pelo governo da Líbia contra os que combateram as forças do regime do ditador Muamar Khadafi. No Bahrein, manifestantes fotografaram bombas de gás lacrimogêneo com a inscrição“made in Brazil”(e a bandeira nacional ao lado do prazo de validade do artefato) que seriam usadas na repressão aos que combatiam a monarquia em pleno embalo na Primavera Árabe.

Os Estados Unidos do democrata Barack Obama – que vem defendendo publicamente a redução do arsenal atômico em escala mundial – lideram com folga o mercado internacional de armas leves ou pesadas com 43% de tudo o que é comercializado. Segundo a agência de notícias russa RT, os 100 maiores fabricantes de armas do mundo faturaram 411,1 bilhões de dólares em plena crise econômica internacional. No top 10 do ranking das maiores empresas do setor, sete são americanas. Ainda segundo a agência, o mercado de armas cresce 22% ao ano no mundo e as perspectivas de negócio são animadoras especialmente nos países emergentes.

Não é possível ainda imaginar um mundo totalmente sem armas e a aquisição de armamentos contribui em certa medida para a manutenção da paz e da ordem entre os países. Mas a farra da indústria armamentista esvazia a perspectiva de construirmos um modelo efetivo de desenvolvimento sustentável. A economista e escritora Hazel Handerson fez a conta e chegou a um resultado interessante: com apenas 25% dos gastos militares anuais em todo o mundo seria possível oferecer em relativamente pouco tempo água limpa, saúde e habitação para todos os seres humanos, eliminar a fome e o analfabetismo, proporcionar energia limpa e renovável, além de outros importantes benefícios em escala global. Debater sustentabilidade sem questionar frontalmente os abusos da indústria armamentista, é seguir o rumo de uma bala perdida.

terça-feira, 10 de abril de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Pintura verde

O que um produto precisa ter para ser considerado "verde"?

A procura dos consumidores por produtos que se apresentam como "ecologicamente corretos" vem crescendo nos últimos anos, principalmente com o aumento da preocupação do consumidor global em relação às questões ambientais que tem se agravado com o passar do tempo. 

Esta nova tendência “verde” do mercado também estimulou empresas a aproveitar o momento para associar seus produtos a atribuições ecoamigáveis duvidosas e oportunistas, sem critérios claros que respaldem suas pretensões ambientalistas, ou, ainda, através da apresentação de símbolos e apelos visuais que podem induzir o consumidor a conclusões erradas sobre o produto ou serviço que deseja comprar.Tais apelos são o que pode-se chamar de “Greenwashing” (maquiagem verde). E aí, como saber se está sendo enganado?

Divulgada no ano passado, a pesquisa ‘Grau de Consciência Verde dos Consumidores’, produzida pela consultoria Kantar Worldpanel, indicou que 36% dos brasileiros consultados não acreditam nas campanhas verdes das empresas. Na América Latina a pergunta ‘Quando uma empresa faz publicidade/comunicação de ações positivas para a sociedade e para o meio-ambiente você…’ foi respondida nos seguintes termos: ‘Não acredito’, 39%; ‘Acho difícil acreditar’, 35% (porque não vejo o resultado final), além de ‘Confio na mensagem e a valorizo’, 26%.

Outro dado do estudo aponta que 29% dos entrevistados declararam sequer saber da existência de empresas que realizem ações de sustentabilidade. Para transformar esse cenário, na opinião dos entrevistados, a responsabilidade de influenciar mudanças na questão ambiental é dos próprios brasileiros; 79% disseram que o poder está na mão da sociedade como um todo, 40% indicam os meios de comunicação como os maiores influenciadores e 39%, as instituições de educação. Esse descrédito no empresariado parece refletir os anos de irresponsabilidade socioambiental das organizações.

Como já mostramos aqui no blog, desde agosto de 2011 vigoram as novas regras do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) para normatizar peças de propaganda baseadas em apelos de sustentabilidade. A ideia é coibir a utilização do tema de forma banal a fim de não confundir os consumidores.

Confira no vídeo abaixo uma entrevista com o diretor do documentário “Greenwashers” mostra como o americano Bret Malley criou um personagem que ensina empresários e políticos a praticarem a “maquiagem verde”. 



segunda-feira, 5 de março de 2012

Idéias para as cidades brasileiras

Já falamos aqui no blog sobre o projeto Cidades para Pessoas, da jornalista Natália Garcia. Durante um ano a jornalista vai viajar por 12 cidades do mundo – e morar por um mês em cada uma delas em busca de boas ideias que tenham melhorado esses centros urbanos para quem mora neles.

O projeto já está na metade e várias cidades já foram visitadas; Copenhague (Dinamarca), Amsterdam (Holanda), Londres (Inglaterra), Paris (França), Estrasburgo (França), Friburgo (Alemanha) e Lyon (França). Assim, o projeto começa a apresentar seus primeiros resultados. .

Listamos então um resumo de algumas idéias levantadas pelo projeto sobre como tornar as cidades brasileiras mais agradáveis para se viver.

As decisões sobre o futuro da cidade precisam envolver participação popular.
Em Londres e Copenhague há canais on line da prefeitura em que os projetos do poder execuvito são expostos à opinião pública. As manifestações dos cidadãos não possuem poder de veto, mas um documento sobre a média das opiniões postadas nos sites são compiladas em um documento final, também publicado pela prefeitura e levados em conta na decisão final.

A cidade deve ser sinalizada para todos, para encorajar outras formas de locomoção além do carro.
Já percebeu como as sinalizações das cidades brasileiras servem, em sua esmagadora maioria, as pessoas que se locomovem de carro? Sinalização para outros modais é uma medida simples que poderia diminuir a dependência do carro e encorajar outras formas de locomoção pela cidade. Em Londres existem vários paineis mostrando um mapa da região, com as ruas em um raio de 1 quilômetro e a direção dos principais bairros da cidade, permitindo assim, que os pedestres possam se localizar. Também na capital inglesa, como em Copenhague e Paris, existem mapas nos pontos de ônibus e metro que orientam sobre como se locomover de transporte público pelas cidades.

É necessário um conselho de técnicos de áreas estratégicas ligado à prefeitura.
Em Londres há um conselho de técnicos em saúde, gestão dos rios, esgotos, habitação, mobilidade, entre outras áreas, que emite pareceres sobre projetos políticos que são levados em conta antes de sua execução. A presença de um conselho como esse é importante para evitar medidas “grotescas” como, por exemplo, a ampliação das pistas da marginal Tietê, em São Paulo, que impermeabilizou parte das bordas do rio e, mais uma vez, priorizou o transporte individual em detrimento do público.

Agricultura urbana ajuda a conter enchentes e abastece bairros com produtos orgânicos.
Cultivar alimentos em regiões próximas das grandes cidades (ou dentro delas) diminuiu o impacto negativo gerado pelo abastecimento de comida nesses centros urbanos. Se escolhidas bem, as áreas de agricultura urbana podem permeabilizar regiões estratégicas para ajudar a conter problemas de enchente e alagamento.

Nosso clima é quente. Precisamos de espaços públicos para aproveitá-lo.
Em Paris e Londres, por exemplo, as regiões nos bordos dos rios Tâmisa e Sena viram, durante o verão, “praias artificiais”, com bancos de areia, áreas para se banhar e atrações públicas e comerciais para que as pessoas simplesmente aproveitem o calor. No Brasil, o recurso do calor é abundante, mas se tornou um problema porque não temos espaços onde aproveitá-lo. É muito comum ouvir pessoas se queixando do “calor infernal” da cidade. Isso acontece porque ela está coberta de concreto e asfalto, o que inviabiliza o aproveitamento de climas mais quentes.

É preciso investir na rede de catadores de recicláveis e na gestão local de lixo.
Em São Paulo há um dado divulgado em 2010 pela ONG Nossa São Paulo de que, da coleta de lixo oficial, apenas 1% dos resíduos é reciclado. Esse dado, no entanto, não leva em conta as redes informais de catadores de recicláveis, que acabam sendo os grandes responsáveis pelo lixo que é reciclado na cidade. Temos que aprender a nos apropriar da lógica da informalidade, não tentar erradicá-la.

O uso dos carros precisa ser restringido ao máximo nos bairros centrais da cidade.
Quanto mais essas regiões foram percorridas à pé, de bicicleta ou transporte público, mais fácil será revitalizá-las – e mais interessante será a experiência de passar por elas ou permanecer nelas.

Bicicleta é um meio de transporte bom para a economia e a saúde da cidade e das pessoas.
Em Copenhague há uma equação com fatores como tempo de locomoção, necessidade de investimento em saúde pública e infra estrutura que mostra que bicicletas fazem a cidade ganhar dinheiro. Segundo essa equação, a cada quilômetro percorrido de bicicleta a cidade ganha o equivalente a R$ 0,70, enquanto que a cada quilômetro percorrido de carro a cidade perde R$ 0,30.

A cidade precisa do maior número possível de opções para se locomover.
“A boa cidade é a que tem o melhor número de opções para se locomover”, disse ao Cidades para Pessoas o planejador urbano Jeff Risom, do escritório dinamarquês Ghel Architects. “Em vez de pedir por ‘mais ciclovias’, ‘mais ruas para transitar de carro’ ou ‘mais metrô’ é preciso pedir por ‘mais opções”, explica ele. Quanto maior o número de opções menor a dependência dos carros (ou de qualquer outro modal) e mais interessantes ficam os deslocamentos pelos espaços públicos.

Isso não significa que as políticas que dão certo nestes países europeus, possam ser simplesmente importadas para o Brasil. Mas deveríamos nos inspirar nelas para construir idéias para um melhor planejamento urbano que se encaixem na nossa realidade. É importante também, tentar garantir que todos os espaços públicos sejam democráticos, e que as mudanças realizadas não sejam motivo para especulação imobiliária.

Para ver mais idéias, visite: Cidades Para Pessoas

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A experimentação animal e os novos modelos

Talvez esse debate não faça sentido daqui a alguns anos.

O uso de animais para a pesquisa científica atualmente parece ser uma necessidade, mas pode desaparecer devido ao desenvolvimento de modelos matemáticos que simulam os efeitos (adversos ou não) dos remédios em softwares ou em tecidos humanos cultivados em laboratório especialmente para este fim. 

Praticamente todos os medicamentos vendidos em farmácias foram testados em animais. Podemos citar alguns avanços na medicina, que podem ser atribuídos à experimentação animal por exemplo: a transfusão de sangue, o tratamento da tuberculose, da asma, transplantes, tratamento de câncer, e, inclusive, a produção de todos os remédios comercializados hoje.

Segundo vários especialistas, fazer testes de medicamentos em animais pode não nos fornecer informação suficiente sobre todos os efeitos adversos possíveis para os seres humanos. Para alguns outros, modelos computacionais possibilitam a obtenção de dados mais precisos. Mas, como confiar em um computador? Afinal, ele não é um organismo vivo. Entretanto, camundongos ou outros animais também não são bons modelos para o ser humano, pois seu metabolismo funciona de forma completamente diferente. 

O conceito dos 3 R’s, comum no campo da ecologia, também é aplicado quando falamos de experimentação animal. Reduzir significa utilizar o menor número possível de animais em determinado estudo.Refinar significa desenvolver experimentos de modo que o ser menos evoluído da cadeia evolutiva possa ser utilizado. E substituir (replace) significa não utilizar animais sempre que possível.

Diferente do que muitos imaginam, o interesse por métodos alternativos cresce dentro da própria comunidade científica na tentativa de diminuir o número de animais utilizados em experimentação e também reduzir o custo dos experimentos.

Recentemente, a União Européia decidiu  restringir o uso de animais em pesquisas médicas e proibir de vez a utilização de grandes símios em experimentos científicos. As alternativas possíveis aos métodos tradicionais  entraram em evidência desde então.

Os resultados alcançados pelo projeto Genoma (que decifrou todo o código genético humano) permitirão que softwares, modelos matemáticos e outras técnicas sejam mais precisas para o teste de medicamentos, que antes só podia ser feito com o teste em animais. Entretanto essas técnicas podem não ser 100% seguras e precisam de uma validação científica para que substituam as práticas tradicionais.

Felizmente, a pesquisa científica aos poucos evolui e permite um uso cada vez menor de animais. Mesmo assim, as técnicas tradicionais ainda são fundamentais para a continuidade das pesquisas. Há, ainda, um grande debate ético pela frente.

  • O assunto é extenso e polêmico. Por isso, a edição do Boletim do Meio Ambiente de Fevereiro (que será disponibilizada em breve) tratará mais desse assunto e outros posts com esse tema serão feitos aqui no blog.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Ruídos na comunicacao ambiental

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna, escritor e jornalista.

Os ruídos na comunicação ambiental podem atrapalhar o entendimento sobre consumo, recursos naturais, superpopulação, amadurecimento pessoal ou sobre a neutralidade na informação.
Quando se faz a crítica ao consumismo, por exemplo, não é ao ato de consumir, em si. Não há nada de errado em consumir. É o que fazemos, do berço ao túmulo. O que se critica é o consumo irresponsável; o desperdício, que destrói recursos que poderiam estar sendo melhor distribuídos; a redução da vida humana às dimensões de produzir numa ponta para consumir na outra.

Quando se alerta sobre o fato dos recursos naturais serem limitados não significa que não haja recursos no Planeta suficiente para todos. Há, até de sobra. O que se critica é a pegada ecológica desigual, onde uns poucos pegam muito mais que a maioria, só possível por que existe desigualdade social e falta de cidadania consciente e participativa na luta por políticas públicas.Quando se alerta para nossa superpopulação de 7 bilhões de humanos, não quer dizer que o Planeta não possa suportar esse número ou ainda mais gente. O que se critica é o fato da população estar se multiplicando numa velocidade muito maior que a capacidade dos governos e dos mercados em prover a todos de infraestrutura e condições dignas de sobrevivência, produzindo perversa e mesmo deliberadamente uma exclusão social que permite a concentração de renda e poder de uma minoria.

Também é equivocado imaginar que o mundo melhor que se deseja depende primeiro da evolução pessoal e espiritual dos indivíduos. As pessoas não amadurecem ao mesmo tempo, por isso a mudança para a sustentabilidade requer cidadania crítica e participativa, mecanismos legais e estruturas democráticas que assegurem iguais direitos e oportunidades para todos, em vez de imaginar, como o profeta, que gentileza gera gentileza. Se gerasse, não haveriam tantos estelionatários e pessoas que se aproveitam da boa vontade dos outras para obter vantagens.

Finalmente, não devemos nos iludir com a idéia de neutralidade em comunicação. Informar é o ato de escolher que parte da verdade queremos iluminar e que parte deixaremos nas sombras. Logo, o observador interfere diretamente na observação ao comunicar sobre ela. Assim como existem comunicadores a serviço da sustentabilidade, existem comunicadores a serviço de poluidores e organizações que trabalham para garantir privilégios e controle político, social e ambiental, para aumentar seus lucros, doa a quem doer. Refugiam-se na idéia de que apenas realizam o seu trabalho profissional e cumprem ordens.

Existem pessoas e organizações que tiram vantagem da atual situação e não querem ver seus ganhos e privilégios diminuídos. Então, podem se aproveitar dos ruídos na comunicação ambiental para manterem a opinião pública na dúvida e desmobilizada. À medida que os ruídos são identificados e eliminados, a opinião pública deixará de ser um alvo tão fácil nas mãos dos aproveitadores.

Fonte: Ecoagência de notícias (NEJ) 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

7 bilhões. O que fazer agora?

texto original: André Trigueiro

Em pouco mais de 200 anos, a população do planeta foi multiplicada por 7. No início do século XIX, éramos um bilhão. Levamos 123 anos para dobrar esse número. Daí pra frente, especialmente depois da segunda guerra mundial, o ritmo do crescimento acelerou. Em outubro de 2011 chegamos a sete bilhões.Até o final do século, segundo a ONU, a tendência é que a população mundial se estabilize na faixa dos 10 bilhões de pessoas. Mas como alimentar tanta gente, se os estoques de água doce e limpa e de solo fértil, estão diminuindo? Dá para apostar numa nova revolução verde?

Não somos apenas mais numerosos. Também estamos vivendo mais.Na média, quase 70 anos. Mas como assegurar o pagamento de aposentadorias e pensões por mais tempo, para muito mais gente? Como preparar melhor as cidades para uma população mais idosa? Que requer maiores cuidados e atenção? Ah as cidades. Elas também estão crescendo e rápido.

Em 60 anos, a taxa de urbanização do planeta praticamente dobrou. Apenas no Brasil, 85% da população vivem em cidades. Para isso, é preciso produzir mais energia. E a energia mais barata e farta do planeta, é também a mais suja. 80% da matriz energética do mundo são petróleo, carvão e gás.E quem mais polui são os ricos.Aproximadamente 75% das emissões de gases estufa vem dos países desenvolvidos.De acordo com as Nações Unidas, as mudanças climáticas poderão determinar a remoção de 200 milhões de pessoas de seus atuais endereços nos próximos 40 anos. A maioria absoluta delas é pobre. Neste planeta ainda tão desigual, um bilhão e meio de pessoas sequer tem acesso a energia elétrica. Ao que parece, será preciso um choque de civilização para que tenhamos esperança num mundo melhor e mais justo, embora mais populoso.

Quer saber mais? Vale apena assistir o vídeo abaixo que mostra mais dados interessantes:


"Em geral nós pensamos que ocupamos muito espaço, entretanto as 7 bilhões de pessoas lado a lado caberiam dentro de Los Angeles.Não é de espaço que precisamos. Precisamos é de equilíbrio."