domingo, 1 de julho de 2012

Um post, uma imagem só (parte 7)


Lixão de Gramacho, no Rio de Janeiro, antes da sua desativação. Ao fundo, a Refinaria Reduc lembra uma cidade iluminada. (Foto: Victor Moriyama)

Para ver o restante o registro fotográfico que Victor Moriyama fez do maior depósito de lixo da América Latina, acesse ((O))Eco

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Os primeiros resultados da Rio+20

Foi lançado o documento final da Rio+20. Intitulado "O Futuro que Queremos", a declaração mostra em que direção caminharão as políticas dos países signatários, no tocante a questão ambiental.

Entretanto, para a maior parte da sociedade civil organizada, o documento atesta o fracasso da Conferência. As organizações não governamentais, por exemplo, rechaçaram o documento final negociado pelos governos. O diretor-geral do Greenpeace, Kumi Naidoo, qualificou de “completo fracasso” o resultado desse encontro, por sua falta de metas concretas e prazos.

Leia o documento, publicado em diversas línguas, AQUI

Em um outro momento, Waek Hamidan, representante de mais de mil ONGs que participaram do processo negociador como observadores da sociedade civil nas negociações da Rio+20, leu uma carta aos chefes de Estados pedindo que retirem do texto do documento final a frase “com a participação plena da sociedade civil”. O discurso aconteceu durante o primeiro dia do segmento de Alto Nível da Rio+20, composta por chefes de Estado e de Governo, dia 20.


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Movimentos sociais em Altamira lutam por sua soberania

A Cidade do Rio de Janeiro está sendo palco do maior evento de discussão ambiental, a Rio +20. Enquanto os resultados dessa conferência ainda não estão delineados, os movimentos sociais bombardeiam a sociedade com denúncias sobre casos de violações dos direitos humanos e crimes ambientais os quais são vítimas. Em Altamira (PA), nos canteiros de obras da Hidrelétrica de Belo Monte, na última semana, as comunidades tradicionais, pequenos agricultores e ONGs ocuparam o local. Este ato é uma tentativa de interromper a construção de Belo Monte, que segundo os estudos feitos uma estimativa de 50 % do município será afetado direta ou indiretamente. 

 

Os movimentos sociais de Altamira promoveram o Xingu +23( para assistir o vídeo do Xingu Vivo, clique AQUI ), um encontro para debater os impactos sócios ambientais que a construção de Belo Monte está causando e, se ficar pronta, causará a região. Ainda lutam contra o bloqueio da grande mídia e a criminalização desse evento difundido pelas corporações de telecomunicação.

A Vale, que está envolvida com graves acusações de trabalho escravo em Moçambique e outros problemas socioambientais no Canadá, é a maior acionista privada da Norte Energia responsável pelo empreendimento de Belo Monte, que funcionará com uma capacidade de aproximadamente 39% (Dado do “Relatório de Insustentabilidade da Vale 2012”). Contudo, por baixo dos panos, outro empreendimento energético de grande impacto sai dos papéis, a Usina Hidrelétrica Tabajara. Tão perigosa quanto Belo Monte, a Hidrelétrica do Rio Machado possui calendário já decidido. E novamente as manifestações de repúdio, a comunidade científica e o próprio Ministério Público são ignorados. 

Por William Cruz

domingo, 17 de junho de 2012

Os povos na Cúpula!

A Cúpula dos Povos começou na última quinta – feira (13/06/2012), no Parque de Eventos do Aterro do Flamengo, com a missão de alterar os caminhos que o evento oficial da Rio +20 orienta o Brasil e o mundo. O evento autônomo do Aterro mostra ao público quantas riquezas culturais, e não só em biodiversidade, o território brasileiro possui. Esse desconhecimento dessas culturas vem acompanhado de injustiças sócio-ambientais que aos olhos da maioria passam “invisíveis”. A beira – mar, num clima muito agradável, várias ONGs, comunidades indígenas, ativistas e militantes de causas ambientais propõem um novo paradigma moldado na agroecologia,  no fortalecimento das cooperativas, preservação ambiental integrada com a inclusão de comunidades nativas, e queda do neoliberalismo. Discutem-se, também, os muitos impactos socioambientais dos mega-empreendimentos no setor energético e de infraestrutura urbana.
Para aqueles que procuram conhecimentos valiosos e desejam conhecer mais sobre o seu país e nossos “vizinhos”, corram para a Cúpula dos Povos que se estenderá até o dia 23 de Junho. Já passaram 20 anos e nada mudou, vamos esperar mais 20? Não. Vamos lutar pela soberania dos povos, dizendo NÃO a “mercantilização dos bens naturais”!

Por William Cruz

Confira algumas fotos do evento AQUI

quarta-feira, 13 de junho de 2012

As áreas verdes desprotegidas

Para entender o problema, leia a matéria publicada no jornal O Globo, no dia 11/05/2012: 

Sinceramente, não vejo nenhuma área verde desprotegida nessa imagem. Só pessoas desprotegidas, procurando abrigo. 

Segundo a matéria "Enseada de Botafogo, Aterro do Flamengo e Campo de Santana. Três áreas de lazer, com muito verde que poderiam ser um cenário digno de boas recordações para visitantes que conhecerão a cidade durante a Conferencia das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontecerá no mês que vêm. Mas os belos cartões postais tem ao menos um triste ponto em comum: estão tomadas por moradores de rua. Boa parte deles usa o espaço para consumo de drogas, espantando cariocas e turistas. [...]"

É o mesmo que dizer: - Essas pessoas, que tem fome, frio, não tem onde morar e nem perspectivas de vida, estão enfeiando o cartão-postal que eu gostaria de mostar aos que visitam minha cidade.

É um julgamento muito injusto e até mesmo cruel. A situação ainda piora, quando a conferência sobre meio ambiente Rio+20 é mencionada. Com certeza, quem escreveu tal notícia, não compreende bem as questões ambientais, e nem o significado que a conferência tem (ou, deveria ter).

Um "mundo sustentável" de fato, não deve incluir um pensamento no qual a estética de um ponto turístico vale mais que o bem estar e a proteção dos seres humanos que, por ventura, se abrigam nestes. 

Alguns podem pensar, até mesmo, que esta discussão sobre moradores de rua não tem nada a ver com meio ambiente (afinal não estamos falando nem de árvores, nem de reciclagem, nem de animais em extinção), mas tais pessoas, pertencentes ao grupo de excluídos sociais, são justamente as que mais sofrem com os impactos ambientais e com as externalidades dos processos produtivos. É, portanto, lógico que elas fossem um dos principais pontos da discussão iniciada hoje, na Conferência. Ou será que essas pessoas não tem espaço na tão alardeada Economia Verde?
Quando, por exemplo, a produção de uma empresa afeta o padrão de vida de uma população de forma negativa, sem que estas participem dos lucros auferidos por essa produção, dizemos que esta produção possui externalidades"
É claro que essas pessoas não devem permanecer em tais lugares, mas elas não podem ser tratadas como uma ameaça iminente, que espantam  turistas e moradores. Espantoso é a falta de sensibilidade da maioria das pessoas.

Por Ana Eliza Martinho

O boletim de Junho, está trazendo uma discussão sobre a "apropriação" dos recursos naturais. A quem pertence a natureza? Nos dê sua opinião, nos comentários abaixo, ou na nossa página no Facebook.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O lado B da economia verde

Você sabe o que é mercado de carbono? E os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL)? Já ouviu falar em Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, Conservação, Manejo Florestal Sustentável (REDD)? Pagamento por Serviços Ambientais (PSA)? Todos estes instrumentos e conceitos, que fazem parte da assim chamada economia verde, estão explicados e detalhados na cartilha "O Lado B da Economia Verde - Roteiro para uma cobertura jornalística crítica da Rio+20". Com exemplos de como tais mecanismos têm sido aplicados na prática no Brasil e opiniões críticas de acadêmicos e especialistas, a cartilha foi pensada para auxiliar jornalistas envolvidos na cobertura do evento, mas pode ser útil para qualquer um que tenha interesse em aprender e se aprofundar sobre os temas em discussão. Clique aqui para baixar a versão digital da cartilha em arquivo PDF.

Produzida em parceria da Fundação Heinrich Boell com a Repórter Brasil, a cartilha traz uma análise sobre o novo ambientalismo de mercado que tem permeado os debates em torno da na perspectiva de seus críticos. Uma das principais pautas da conferência, a economia verde ainda carece de consenso entre os negociadores dos Estados-membros das Nações Unidas quanto à sua conceituação e definição. Grosso modo, porém, seus proponentes apostam em um uso mais economicista dos recursos naturais – rebatizados de capital natural, defendendo novas regras de lucratividade inerentes à preservação ambiental, para que ela se justifique...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Os vetos ao Código

Dia 28/05, a Presidente Dilma Rousseff enviou ao presidente do Congresso Nacional, José Sarney, o seguinte documento, justificando os motivos do veto ao Código Florestal. Foram vetados 12 artigos e introduzidas 32 modificações ao todo. Confiram abaixo, o comunicado da presidenta:

Nº 212, de 25 de maio de 2012.

Senhor Presidente do Senado Federal,

"Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1 o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade, o Projeto de Lei nº 1.876, de 1999 (nº 30/11 no Senado Federal), que "Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa (...)

Ouvidos, os Ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Desenvolvimento Agrário, do Planejamento, Orçamento e Gestão, de Minas e Energia, da Ciência, Tecnologia e Inovação, das Cidades e a Advocacia-Geral da União manifestaram-se pelo veto aos seguintes dispositivos:

sábado, 2 de junho de 2012

sábado, 26 de maio de 2012

XXXII Semana da Química na RIO+20


Entre os dias 18 e 21 de junho de 2012 será realizada a Semana da Química na Rio +20. Esta será uma edição especial de nossa tradicional semana que ocorre há 32 anos e constará da programação oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável-Rio+20.

Nosso evento contará com conferencistas e palestrantes de renome nacional e internacional. A grande atração do evento é a apresentação dos Projetos Discentes. Neles, os alunos são os protagonistas: definindo seu objeto de estudo, seu orientador e desenvolvendo metodologias específicas para a investigação que pretendem realizar. O conhecimento gerado com os projetos é apresentado em salas ou laboratórios especialmente preparados para receber o público visitante.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sobre a cegueira, a surdez e qualquer outro problema ambiental

Texto escrito por Roberto Novaes, graduando em Ciências Biológicas pela UFRJ, e postado no blog " E Esse Tal de Meio Ambiente?"

" [...]Os piores problemas ambientais que existem não são a fragmentação ou destruição de hábitats, a poluição aquática excessiva ou as emissões cavalares de carbono na atmosfera. Os piores problemas ambientais são a cegueira, a surdez e a mudez. Porque não é possível que uma pessoa com mínimo senso crítico e que ande pelas ruas de qualquer grande centro urbano, como o Rio, não perceba que as coisas não estão indo bem.



Os surdos não escutam o barulho enlouquecedor gerado pelas buzinas dos carros em um trânsito lento. Eles não sentem falta de ouvir sons diferentes dos habituais motores e vozes humanas. Os surdos não sentem a falta de ouvir a voz de alguns de seus parentes, como as aves, os morcegos, os macacos. Eles não escutam, logo, não compreendem que aquilo não é normal e que estamos vivenciando alguma coisa diferente do que nossos genes dizem que devemos viver. Mas tudo bem, não é culpa deles serem surdos.

Os cegos não veem que o horizonte tem uma cor pálida, embaçada. Eles não veem que a maior parte dos morros e serras que o cercam ou tem uma série de casas humildes empilhadas ou tem uma coloração fosca e uniforme. Os cegos não percebem que esses morros estão estáticos e vazios, sem vida e futuro. Os cegos não veem a fumaça dos veículos e das indústrias. Mas ninguém quer ser cego, não é culpa deles.

Os mudos são os piores, tadinhos. Eles veem os problemas, enxergam a magnitude e alcance de seus atos e de seus irmãos. Os mudos escutam os barulhos paranóicos de uma cidade grande, entendem o caos de uma sociedade próxima ao colapso. Os mudos percebem tudo o que está acontecendo, muitos sabem até o que fazer pra resolver. Mas coitadinhos dos mudos. Eles não podem falar, não podem contar pras pessoas o que veem e escutam. Não podem transmitir seus conhecimentos pras novas gerações. Uma pena! [...]Políticos surdos, população cega e ecologistas mudos!"

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mapa Social apresenta "cartografia dos excluídos"

Por Maurício Hashizume
Fonte: Repórter Brasil

Ainda não foi desta vez que o 13 de maio, data que marca a Abolição da Escravatura, foi comemorado com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, que prevê o confisco da propriedade de quem for flagrado explorando trabalho em condições análogas à escravidão.


Enquanto a chamada PEC do Trabalho Escravo não é aprovada, a agencia Repórter Brasil segue no esforço de trazer à tona questões e contextos sociais alarmantes em curso nas mais diferentes partes do país - em todos os seus mais variados aspectos, elaborados a partir de incursões in loco dos integrantes da organização e acompanhados de dados, estatísticas e análises elaboradas gentilmente com a colaboração de entidades parceiras.

O Mapa Social reúne conteúdos disponibilizados nos formatos de textos, fotos, vídeos e infográficos que tratam de cada uma das cinco regiões sob perspectivas singulares e, ao mesmo tempo, complementares.

As cinco grandes reportagens que compõem a base do especial tratam:

da persistência da pobreza por trás das libertações de trabalho escravo (Sul).

Como complemento, são apresentados cinco infográficos com visualizações a respeito :
das informações relativas à miséria no Brasil.

Para conferir o resultado do trabalho como um todo, basta acessar o site da iniciativa: www.reporterbrasil.org.br/mapasocial

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Agenda Ambiental

Já organizaram a agenda ambiental deste mês? Se não, ainda é tempo. Selecionamos abaixo algumas dicas de seminários, discussões, entre outros eventos:

Desigualdade Ambiental e Regulação Capitalista: Da acumulação por espoliação ao ambientalismo espetáculo.
Dia 31/05 a 01/06
Local: Auditório do IPPUR, Cidade Universitária, Ilha do Fundão
PROGRAMAÇÃO

DEBATE – Política Nuclear Global

O Centro de Relações Internacionais da FGV e o Carnegie Endownment for International Peace convidam para um debate sobre o futuro da política nuclear global.
 Dia 16 de maio, às 15h, na sala 1014 (Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro).

Seminário Internacional - Modernidade Global e Contestações SociaisSeminário Internacional
de 24 a 26 de maio
Fundação Casa de Rui Barbosa - Rio de Janeiro

20 anos de Reciclagem no Brasil
14 de maio
Jardim Botânico Solar da Imperatiz Horto Florestal - Rio de Janeiro


Só para relembrar: O Boletim do Meio Ambiente está participando do Green Nation Fest, na categoria BLOG. Se você curte nosso trabalho vote na gente por este LINK!


terça-feira, 8 de maio de 2012

Não há sustentabilidade sem paz

Por André Trigueiro, Revista GQ, maio 2012

É impressionante o volume de recursos que a indústria armamentista movimenta no Brasil e no mundo. O que sobra para armas e munições, falta para o desenvolvimento sustentável.

A Universidade de Heildelberg – a mais antiga da Alemanha – revela a cada ano a quantidade de guerras em andamento no planeta. Em 2011 o número de conflitos internacionais triplicou e alcançou o nível mais alto desde 1945. De acordo com o levantamento, existiriam hoje no mundo 20 guerras e 166 conflitos armados. E a tendência em 2012, ano da Rio+20, seria esse número crescer ainda mais. Boa parte dos países que se reunirão no Brasil em junho para debater os rumos do desenvolvimento sustentável participam ativamente dos chamados “jogos de guerra” auferindo lucros fabulosos com a venda de armas, munições e toda sorte de artefatos bélicos para clientes nem sempre identificados com clareza pelos respectivos governos.

Na condição de anfitrião, o Brasil não faz feio no ranking dos países que mais exportam armas. Dados apurados pela Agência Pública de Reportagem e Jornalismo Investigativo junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, revelam que o valor das exportações de armas leves triplicou entre 2005 e 2010, chegando a US$ 321,6 milhões. Foram quase 4,5 milhões de armas exportadas no período. O Exército se nega a informar detalhes sobre os negócios, mas a informação sempre aparece, ainda que de forma acidental. Foi assim quando se descobriu que minas terrestres de fabricação brasileira foram usadas pelo governo da Líbia contra os que combateram as forças do regime do ditador Muamar Khadafi. No Bahrein, manifestantes fotografaram bombas de gás lacrimogêneo com a inscrição“made in Brazil”(e a bandeira nacional ao lado do prazo de validade do artefato) que seriam usadas na repressão aos que combatiam a monarquia em pleno embalo na Primavera Árabe.

Os Estados Unidos do democrata Barack Obama – que vem defendendo publicamente a redução do arsenal atômico em escala mundial – lideram com folga o mercado internacional de armas leves ou pesadas com 43% de tudo o que é comercializado. Segundo a agência de notícias russa RT, os 100 maiores fabricantes de armas do mundo faturaram 411,1 bilhões de dólares em plena crise econômica internacional. No top 10 do ranking das maiores empresas do setor, sete são americanas. Ainda segundo a agência, o mercado de armas cresce 22% ao ano no mundo e as perspectivas de negócio são animadoras especialmente nos países emergentes.

Não é possível ainda imaginar um mundo totalmente sem armas e a aquisição de armamentos contribui em certa medida para a manutenção da paz e da ordem entre os países. Mas a farra da indústria armamentista esvazia a perspectiva de construirmos um modelo efetivo de desenvolvimento sustentável. A economista e escritora Hazel Handerson fez a conta e chegou a um resultado interessante: com apenas 25% dos gastos militares anuais em todo o mundo seria possível oferecer em relativamente pouco tempo água limpa, saúde e habitação para todos os seres humanos, eliminar a fome e o analfabetismo, proporcionar energia limpa e renovável, além de outros importantes benefícios em escala global. Debater sustentabilidade sem questionar frontalmente os abusos da indústria armamentista, é seguir o rumo de uma bala perdida.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

I Festival Curta na Uerj

Seguindo o assunto dos últimos posts, aqui está mais uma Mostra sobre filmes com a temática ambiental. O 1º Festival de Curta da UERJ/2012 é um concurso de vídeos de criação independente, aberto à participação do público.

O objetivo é abrir espaço a produções em vídeo e animação, revelando talentos e contribuindo para a mobilização acerca das questões ambientais.

O I Festival Curta na Uerj é aberto a qualquer pessoa acima de 12 anos de idade. A partir do tema “Meio ambiente e desenvolvimento no século XXI”, os participantes poderão abordar assuntos como lixo, energia renovável, água, ocupação do solo, educação ambiental, entre tantas possibilidades.

As inscrições vão até 28 de maio.

Saiba mais em: TV UERJ

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Green Nation Fest

Já que no post anterior falávamos de cinema, filmes e vídeos relacionados ao tema "meio ambiente", acontecerá entre os dias 31 de maio e 7 de junho, na Quinta da Boa Vista, a primeira edição do Green Nation Fest, um festival interativo e sensorial que estimula o público visitante a pensar sobre questões ambientais de maneira descontraída, usando cinema, educação, esporte e moda para abordar o assunto.

O Green Nation Fest é realizado pelo Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente (CIMA), ONG que há mais de 20 anos desenvolve ações em parceria com instituições privadas, governamentais e multilaterais.

Todos podem participar da Competição de Cinema e Novas Mídias, uma disputa de obras sobre sustentabilidade. É só inscrever o trabalho (que pode ser micrometragem, blog, foto e perfil no Twitter) até o dia 10 de maio no site: www.GreenNationFest.com.br. Neste mesmo site você também pode ver os trabalhos que foram inscritos.

Além da competição, o evento terá três grandes atrações: a Feira Interativa e Sensorial, Mostra Internacional de Cinema com 12 longas-metragens e Seminários Internacionais sobre “Economia verde e criativa”, abertos para debates. A expectativa de público gira em torno de quatro mil visitantes por dia.

Se você for ao evento, não esqueça de vir contar o que achou aqui no blog.

Fonte: Green Nation Fest (Com adaptações)

sábado, 21 de abril de 2012

Mostra Ecofalante de Cinema

A Ecofalante, organização não governamental sem fins lucrativos, apresentou a primeira edição da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, em São Paulo, no mês de Março, que teve como objetivo chamar a atenção da população paulista para questões ambientais, de sustentabilidade, cidadania, governança, participação e políticas públicas. Com filmes de inegável qualidade, proporcionou debates enriquecedores sobre questões que interessam a toda população.

A mostra foi composta por 40 filmes, divididos em seis eixos temáticos - Ativismo, Mudanças Climáticas, Consumo, Povos e Lugares, Energia e Água. Para você não pode conferir a Mostra, destacamos alguns dos filmes para que você possa ver aqui no blog.

Ativismo:  The Warriors of Qiugang:  Em 2004, uma antiga fábrica de pesticidas e corantes próxima à vila de Qiugang, na China central, foi privatizada. Ao reiniciar sua produção, uma água negra escorreu das plantas e inundou os campos da pequena vila: peixes e plantações morreram, e os moradores ficaram alarmados pelo grande número de pessoas atingidas pelo câncer entre eles. Por cinco anos essa população lutou para transformar seu meio ambiente e, ao fazê-lo, percebeu que também estava se transformando. Veja o trailer AQUI

Povos e Lugares:  Tamboro: Documentário que aborda as principais questões sociais e ambientais do Brasil. O desmatamento da Floresta Amazônica, a luta pelas terras no campo, a favelização e a criminalidade nos grandes centros urbanos são projetadas, formando um panorama quase muralista de nossa civilização. Do Monte Roraima aos Aparados da Serra, o filme percorre todo o Brasil nos revelando imagens surpreendentes de nosso país. Veja o trailer AQUI.

Consumo: O Veneno está na mesa:O Brasil é, desde 2008, o país que mais consome agrotóxicos no planeta! Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que utilizamos estão proibidos em quase todo o mundo pelo risco que representam à saúde humana e ambiental. Assista ao filme completo AQUI.

Energia: À margem do Xingu: Em viagem pelo rio Xingu encontramos inúmeras pessoas, moradores de toda uma vida,que serão atingidos pela possível construção da hidrelétrica de Belo Monte. Relatos de ribeirinhos, indígenas, agricultores e habitantes da região de Altamira na Amazônia, assim como os de especialistas da área, compõem parte deste complexo quebra-cabeça. Assista ao Trailer AQUI.

Água: Sertão Progresso: Transposição de águas do Rio São Francisco e os interesses econômicos e políticos que, desde a época do Império, definem a utilização da terra e da água no Sertão nordestino. Documentário gravado em dez estados brasileiros sobre a obra mais ambiciosa do governo Lula, que promete levar água de beber a 12 milhões de habitantes do semiárido. Assista ao trailer AQUI.

Mudanças Climáticas: A terra da Lua Partida: No coração do Himalaia, Sonam, um velho nômade, vive com sua tribo em uma das mais adversas e isoladas regiões do mundo, mas uma repentina mudança no clima está secando a maioria dos rios e transformando muitos dos vales em desertos. Incapaz de sobreviver da forma tradicional e testemunhando o colapso do seu povo, Sonam inicia uma desesperada busca por respostas e soluções para mudar o destino de sua tribo. Assista ao trailer AQUI.

terça-feira, 10 de abril de 2012

sábado, 24 de março de 2012

A Hora da Esmola

No mês de Março ocorre a quarta edição brasileira da Hora do Planeta, um protesto promovido pela WWF junto à iniciativa privada, governos e sociedade civil. Em 2012 participam 37 cidades brasileiras, contribuindo através de “apagões” em monumentos: como O Cristo Redentor, Rio de Janeiro; Farol da Barra, Salvador.

 Apesar de toda agitação em volta desse ato simbólico, a Hora do Planeta, se tornou um instrumento de propaganda sustentável para empresas e governos; vendendo sua “imagem verde”. A comoção durante a campanha não é refletida nos gestos do cotidiano do setor governamental e empresarial; o reflexo da consciência demonstrada  perante nossas ações corriqueiras são irrelevantes. É como se crêssemos que o dinheiro dado ao pedinte na rua, resolvesse sua condição socioeconômica; ou que a doação de cestas básicas no fim do ano, erradicasse a fome das camadas mais carentes da população. Atitudes dessas somente “arrastam” os problemas, e não encontram soluções.

Caso, realmente, quiserem avançar com a discussão ambiental e busca de melhorias, o simbolismo será ineficiente. Necessitaríamos de políticas mais profundas na economia energética, que balanceie o consumo e disponibilidade de recursos naturais.

Texto por: William Cruz

segunda-feira, 19 de março de 2012

A conspiração da lâmpada

Fonte: Educação Ambiental Crítica

O documentário The Light Bulb Conspiracy (A conspiração da lâmpada) de Cosima Dannoritzer 2011, com o título em português de Comprar, jogar fora, comprar: A história da obsolescência programada, evidencia a prática da obsolescência programada como o motor da sociedade de consumo, onde desde os anos de 1920 fabricantes começaram a diminuir a vida útil dos produtos para aumentar as vendas.

Logo nas primeiras cenas é contada a história de uma lâmpada incandescente que funciona ininterruptamente desde 1901 (111 anos). No entanto, o documentário revela que em 1924 formou-se o primeiro cartel do mundo, visando o controle na fabricação de lâmpadas, com o objetivo de que estas se tornassem menos duráveis, para que as pessoas não deixassem de consumir periodicamente.

O documentário dá alguns exemplos da obsolescência programada, utilizada, para diminuir a vida útil de impressoras da marca Epson, que, por exemplo, quando chega a uma determinada quantidade de páginas impressas, deixa de imprimir. Outro exemplo é a Dupont que descobriu o nylon, no entanto, teve que tornar o material menos resistente e duradouro, para que continuasse havendo consumo. Além do caso das primeiras linhas do iPod, cuja bateria tinha a programação para durar aproximadamente 18 meses, incentivando a compra de outro aparelho por um novo.

O filme ainda mostra que a obsolescência programada surge quase ao mesmo tempo em que a produção em massa e a sociedade de consumo. Esse padrão iniciou-se desde a revolução industrial onde saiam das maquinas produtos mais baratos, portanto mais acessíveis, no entanto pouco duráveis.

O documentário cita a preocupação de algumas empresas, que já se destacam por utilizarem uma nova proposta de engenharia, onde se questiona a obsolescência programada como obsoleta, se reapropriando das ideias de produzirem bens mais duráveis.

Provavelmente, a solução para a sociedade de consumo de crescimento está longe de apenas, pequenas adaptações ditas mais ecológicas e sustentáveis, como muitas empresas tem proposto, e sim numa mudança mais radical: ao invés de um crescimento um decrescimento, uma verdadeira mudança de lógica, reduzindo o consumo e a produção.


quarta-feira, 14 de março de 2012

Pintura verde

O que um produto precisa ter para ser considerado "verde"?

A procura dos consumidores por produtos que se apresentam como "ecologicamente corretos" vem crescendo nos últimos anos, principalmente com o aumento da preocupação do consumidor global em relação às questões ambientais que tem se agravado com o passar do tempo. 

Esta nova tendência “verde” do mercado também estimulou empresas a aproveitar o momento para associar seus produtos a atribuições ecoamigáveis duvidosas e oportunistas, sem critérios claros que respaldem suas pretensões ambientalistas, ou, ainda, através da apresentação de símbolos e apelos visuais que podem induzir o consumidor a conclusões erradas sobre o produto ou serviço que deseja comprar.Tais apelos são o que pode-se chamar de “Greenwashing” (maquiagem verde). E aí, como saber se está sendo enganado?

Divulgada no ano passado, a pesquisa ‘Grau de Consciência Verde dos Consumidores’, produzida pela consultoria Kantar Worldpanel, indicou que 36% dos brasileiros consultados não acreditam nas campanhas verdes das empresas. Na América Latina a pergunta ‘Quando uma empresa faz publicidade/comunicação de ações positivas para a sociedade e para o meio-ambiente você…’ foi respondida nos seguintes termos: ‘Não acredito’, 39%; ‘Acho difícil acreditar’, 35% (porque não vejo o resultado final), além de ‘Confio na mensagem e a valorizo’, 26%.

Outro dado do estudo aponta que 29% dos entrevistados declararam sequer saber da existência de empresas que realizem ações de sustentabilidade. Para transformar esse cenário, na opinião dos entrevistados, a responsabilidade de influenciar mudanças na questão ambiental é dos próprios brasileiros; 79% disseram que o poder está na mão da sociedade como um todo, 40% indicam os meios de comunicação como os maiores influenciadores e 39%, as instituições de educação. Esse descrédito no empresariado parece refletir os anos de irresponsabilidade socioambiental das organizações.

Como já mostramos aqui no blog, desde agosto de 2011 vigoram as novas regras do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) para normatizar peças de propaganda baseadas em apelos de sustentabilidade. A ideia é coibir a utilização do tema de forma banal a fim de não confundir os consumidores.

Confira no vídeo abaixo uma entrevista com o diretor do documentário “Greenwashers” mostra como o americano Bret Malley criou um personagem que ensina empresários e políticos a praticarem a “maquiagem verde”. 



sábado, 10 de março de 2012

Um post, uma imagem só (parte 1)




Realmente, uma invenção com tecnologia de ponta.

Imagem sugerida por Waldyr Junior, via Facebook.
Tem alguma dica de post? Nos envie! vocenojornal@gmail.com.br

quinta-feira, 8 de março de 2012

Código florestal: competitividade X ganâcia

Fonte: Envolverde (com adaptações)

O Código Florestal retorna à pauta da Câmara Federal (dia 13/03) e novamente se enfrentam argumentos em defesa da “produtividade” do setor agropecuário em contrapartida à necessidade defendida por cientistas e ambientalistas de se proteger pedaços de biomas naturais em propriedades agrícolas, conhecidos como Áreas de Preservação Permanente (APP) e Áreas de Reserva Legal (ARL).

Existe uma questão, entretanto, que foi pouco tratada neste tempo todo de discussão. Com a manutenção do Código Florestal Brasileiro de 1966 o agronegócio brasileiro perderá, de fato, sua competitividade? Podemos apresentar alguns números (já que a maioria só se importa mesmo com estes).

Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária o resultado das vendas do agronegócio de 2011 foi quase 25% maior do que em 2010 quando o setor do agronegócio despachou pelos portos do país 76,4 bilhões de dólares.

Em termos de área disponível, o Brasil conta com mais de 200 milhões de hectares de áreas que não se enquadram em nenhum tipo de restrição para uso agrícola, podendo chegar a quase 300 milhões, segundo o economista José Roberto Mendonça de Barros, e apenas 64 milhões de hectares estão sendo utilizados para a produção de 190 milhões de toneladas de grãos.

Todos esses números servem para mostrar que o setor do agronegócio, que atualmente é controlado por um punhado de empresas, não tem nenhum problema em se manter competitivo diante do mercado internacional, nem muito menos, o país sofre de algum problema na produção de alimentos que possa colocar em risco a segurança alimentar (além, da já conhecida má distribuição destes alimentos).

A aparente necessidade de maiores áreas de cultivo faz com que o agronegócio avance cada vez mais sobre as áreas de vegetação que deveriam estar protegidas. Ainda existe a ideia de que as florestas são improdutivas, e sem participação alguma na produtividade da propriedade. Outro ponto que deve ser apontado e que vem sendo lembrado por especialistas ambientais e cientistas é que o avanço do agronegócio sobre novas áreas resulta em mais demanda por infraestrutura, estradas e portos em regiões onde normalmente não seriam necessárias, principalmente porque não são demandas da população local. Um exemplo disso é o porto para o embarque de soja construído em Santarém, no Pará, cuja licença ambiental é até hoje objeto de dúvidas.

O projeto que altera o Código Florestal, e que será apreciado pelos deputados federais, foi construído à revelia da opinião e participação dos principais centros de pesquisa científica do Brasil, como as universidades e a Associação Brasileiro para o Progresso da Ciência. 

De qualquer forma, perde-se aqui a oportunidade de realmente mudar o código florestal para melhor, de forma à valorizar a exploração econômica da floresta "em pé", fazendo com que esta tenha valor para o produtor e para as populações tradicionais. 


segunda-feira, 5 de março de 2012

Idéias para as cidades brasileiras

Já falamos aqui no blog sobre o projeto Cidades para Pessoas, da jornalista Natália Garcia. Durante um ano a jornalista vai viajar por 12 cidades do mundo – e morar por um mês em cada uma delas em busca de boas ideias que tenham melhorado esses centros urbanos para quem mora neles.

O projeto já está na metade e várias cidades já foram visitadas; Copenhague (Dinamarca), Amsterdam (Holanda), Londres (Inglaterra), Paris (França), Estrasburgo (França), Friburgo (Alemanha) e Lyon (França). Assim, o projeto começa a apresentar seus primeiros resultados. .

Listamos então um resumo de algumas idéias levantadas pelo projeto sobre como tornar as cidades brasileiras mais agradáveis para se viver.

As decisões sobre o futuro da cidade precisam envolver participação popular.
Em Londres e Copenhague há canais on line da prefeitura em que os projetos do poder execuvito são expostos à opinião pública. As manifestações dos cidadãos não possuem poder de veto, mas um documento sobre a média das opiniões postadas nos sites são compiladas em um documento final, também publicado pela prefeitura e levados em conta na decisão final.

A cidade deve ser sinalizada para todos, para encorajar outras formas de locomoção além do carro.
Já percebeu como as sinalizações das cidades brasileiras servem, em sua esmagadora maioria, as pessoas que se locomovem de carro? Sinalização para outros modais é uma medida simples que poderia diminuir a dependência do carro e encorajar outras formas de locomoção pela cidade. Em Londres existem vários paineis mostrando um mapa da região, com as ruas em um raio de 1 quilômetro e a direção dos principais bairros da cidade, permitindo assim, que os pedestres possam se localizar. Também na capital inglesa, como em Copenhague e Paris, existem mapas nos pontos de ônibus e metro que orientam sobre como se locomover de transporte público pelas cidades.

É necessário um conselho de técnicos de áreas estratégicas ligado à prefeitura.
Em Londres há um conselho de técnicos em saúde, gestão dos rios, esgotos, habitação, mobilidade, entre outras áreas, que emite pareceres sobre projetos políticos que são levados em conta antes de sua execução. A presença de um conselho como esse é importante para evitar medidas “grotescas” como, por exemplo, a ampliação das pistas da marginal Tietê, em São Paulo, que impermeabilizou parte das bordas do rio e, mais uma vez, priorizou o transporte individual em detrimento do público.

Agricultura urbana ajuda a conter enchentes e abastece bairros com produtos orgânicos.
Cultivar alimentos em regiões próximas das grandes cidades (ou dentro delas) diminuiu o impacto negativo gerado pelo abastecimento de comida nesses centros urbanos. Se escolhidas bem, as áreas de agricultura urbana podem permeabilizar regiões estratégicas para ajudar a conter problemas de enchente e alagamento.

Nosso clima é quente. Precisamos de espaços públicos para aproveitá-lo.
Em Paris e Londres, por exemplo, as regiões nos bordos dos rios Tâmisa e Sena viram, durante o verão, “praias artificiais”, com bancos de areia, áreas para se banhar e atrações públicas e comerciais para que as pessoas simplesmente aproveitem o calor. No Brasil, o recurso do calor é abundante, mas se tornou um problema porque não temos espaços onde aproveitá-lo. É muito comum ouvir pessoas se queixando do “calor infernal” da cidade. Isso acontece porque ela está coberta de concreto e asfalto, o que inviabiliza o aproveitamento de climas mais quentes.

É preciso investir na rede de catadores de recicláveis e na gestão local de lixo.
Em São Paulo há um dado divulgado em 2010 pela ONG Nossa São Paulo de que, da coleta de lixo oficial, apenas 1% dos resíduos é reciclado. Esse dado, no entanto, não leva em conta as redes informais de catadores de recicláveis, que acabam sendo os grandes responsáveis pelo lixo que é reciclado na cidade. Temos que aprender a nos apropriar da lógica da informalidade, não tentar erradicá-la.

O uso dos carros precisa ser restringido ao máximo nos bairros centrais da cidade.
Quanto mais essas regiões foram percorridas à pé, de bicicleta ou transporte público, mais fácil será revitalizá-las – e mais interessante será a experiência de passar por elas ou permanecer nelas.

Bicicleta é um meio de transporte bom para a economia e a saúde da cidade e das pessoas.
Em Copenhague há uma equação com fatores como tempo de locomoção, necessidade de investimento em saúde pública e infra estrutura que mostra que bicicletas fazem a cidade ganhar dinheiro. Segundo essa equação, a cada quilômetro percorrido de bicicleta a cidade ganha o equivalente a R$ 0,70, enquanto que a cada quilômetro percorrido de carro a cidade perde R$ 0,30.

A cidade precisa do maior número possível de opções para se locomover.
“A boa cidade é a que tem o melhor número de opções para se locomover”, disse ao Cidades para Pessoas o planejador urbano Jeff Risom, do escritório dinamarquês Ghel Architects. “Em vez de pedir por ‘mais ciclovias’, ‘mais ruas para transitar de carro’ ou ‘mais metrô’ é preciso pedir por ‘mais opções”, explica ele. Quanto maior o número de opções menor a dependência dos carros (ou de qualquer outro modal) e mais interessantes ficam os deslocamentos pelos espaços públicos.

Isso não significa que as políticas que dão certo nestes países europeus, possam ser simplesmente importadas para o Brasil. Mas deveríamos nos inspirar nelas para construir idéias para um melhor planejamento urbano que se encaixem na nossa realidade. É importante também, tentar garantir que todos os espaços públicos sejam democráticos, e que as mudanças realizadas não sejam motivo para especulação imobiliária.

Para ver mais idéias, visite: Cidades Para Pessoas

domingo, 19 de fevereiro de 2012

E os tais métodos alternativos?

Existem diversas interpretações relativas ao que sejam “métodos alternativos” ao uso de animais para realizar experimentos científicos.

Na interpretação mais difundida, porém pouco fundamentada, métodos alternativos são aqueles que podem ser “alternados” com técnicas que utilizem animais. Dessa maneira, quando um processo diminui o número de animais utilizados, utiliza metodologia em que animais sofrem menos durante os procedimentos e consegue, em alguns casos, substituir o uso de animais, estão-se utilizando métodos alternativos.

Em outra interpretação, métodos alternativos são todos aqueles que conseguem simular a mesma situação que se encontraria se determinado procedimento fosse realizado em animais. Dessa maneira, tenta-se criar simulações onde se possa substituir o uso de animais ou, ao menos, diminuir seu uso.

Numa terceira interpretação, métodos alternativos não devem tentar simular resultados que seriam obtidos de animais experimentais, pois estes podem fornecer dados duvidosos. Ao invés disso, devem buscar obter resultados aplicáveis diretamente aos pacientes, sejam eles seres humanos ou animais.

Dependendo do objetivo da pesquisa, existe a possibilidade de se utilizar muitos recursos baseados em sistemas in vitro (pesquisa em tecidos isolados, células animais, vegetais ou microorganismos); podem-se utilizar, para alguns estudos, espécies de vegetais; simulações computacionais, estudos não invasivos em voluntários, técnicas físico-químicas (espectrometria de massa, cromatografia, tomografia), nanotecnologia; e para fins didáticos podem ser utilizados cadáveres, softwares, filmes, entre outros.

A escolha por determinado teste não deve ser aleatória. Cada fim pretendido demanda a adoção de uma ou mais técnicas. Ao estudarmos seres humanos ou linhagens celulares específicas, evitamos a má interpretação de resultados que podem advir quando da extrapolação de dados obtidos de animais de outras espécies.

Texto original: Sérgio Greif ( biólogo formado pela UNICAMP, co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação”

Disponível em: Agencia de Notícias de Direitos Animais (ANDA)



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A experimentação animal e os novos modelos

Talvez esse debate não faça sentido daqui a alguns anos.

O uso de animais para a pesquisa científica atualmente parece ser uma necessidade, mas pode desaparecer devido ao desenvolvimento de modelos matemáticos que simulam os efeitos (adversos ou não) dos remédios em softwares ou em tecidos humanos cultivados em laboratório especialmente para este fim. 

Praticamente todos os medicamentos vendidos em farmácias foram testados em animais. Podemos citar alguns avanços na medicina, que podem ser atribuídos à experimentação animal por exemplo: a transfusão de sangue, o tratamento da tuberculose, da asma, transplantes, tratamento de câncer, e, inclusive, a produção de todos os remédios comercializados hoje.

Segundo vários especialistas, fazer testes de medicamentos em animais pode não nos fornecer informação suficiente sobre todos os efeitos adversos possíveis para os seres humanos. Para alguns outros, modelos computacionais possibilitam a obtenção de dados mais precisos. Mas, como confiar em um computador? Afinal, ele não é um organismo vivo. Entretanto, camundongos ou outros animais também não são bons modelos para o ser humano, pois seu metabolismo funciona de forma completamente diferente. 

O conceito dos 3 R’s, comum no campo da ecologia, também é aplicado quando falamos de experimentação animal. Reduzir significa utilizar o menor número possível de animais em determinado estudo.Refinar significa desenvolver experimentos de modo que o ser menos evoluído da cadeia evolutiva possa ser utilizado. E substituir (replace) significa não utilizar animais sempre que possível.

Diferente do que muitos imaginam, o interesse por métodos alternativos cresce dentro da própria comunidade científica na tentativa de diminuir o número de animais utilizados em experimentação e também reduzir o custo dos experimentos.

Recentemente, a União Européia decidiu  restringir o uso de animais em pesquisas médicas e proibir de vez a utilização de grandes símios em experimentos científicos. As alternativas possíveis aos métodos tradicionais  entraram em evidência desde então.

Os resultados alcançados pelo projeto Genoma (que decifrou todo o código genético humano) permitirão que softwares, modelos matemáticos e outras técnicas sejam mais precisas para o teste de medicamentos, que antes só podia ser feito com o teste em animais. Entretanto essas técnicas podem não ser 100% seguras e precisam de uma validação científica para que substituam as práticas tradicionais.

Felizmente, a pesquisa científica aos poucos evolui e permite um uso cada vez menor de animais. Mesmo assim, as técnicas tradicionais ainda são fundamentais para a continuidade das pesquisas. Há, ainda, um grande debate ético pela frente.

  • O assunto é extenso e polêmico. Por isso, a edição do Boletim do Meio Ambiente de Fevereiro (que será disponibilizada em breve) tratará mais desse assunto e outros posts com esse tema serão feitos aqui no blog.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Os feios ameaçados

Abra alguns web sites de ONGs ambientalistas. O que você vê? Pandas, aves coloridas, borboletas, onças, lagartos e tartarugas. Viu algum padrão? Todos esses seres, fofos e simpáticos, são frequentemente o foco das campanhas de conservação de espécies.



Não é preciso pensar muito para perceber que uma campanha do tipo “salvem as lampréias!” (foto) , não faria muito sucesso.

De uma lista de 1318 espécies catalogadas pelo governo americano como “em risco de extinção”, apenas 9 foram extintas desde 1973. Além disso, das 15 espécies classificadas como “recuperadas” temos ursos, lobos, pelicanos. Por que isso acontece?

É possível que seja porque os animais simpáticos sejam mais estudados. A difícil escolha acerca de onde investir o esforço e o dinheiro destinado a preservação ambiental deve ser baseada em vários fatores como risco de extinção, probabilidade de recuperação da espécie,seu papel ecológico, dentre outros. Como dizer qual espécie é mais importante?

Em geral, as espécies ''simpáticas'' contribuem muito para os fundos desses programas de conservação, visto que as pessoas querem doar seu dinheiro para a preservação dos ursos, onças, pandas, arraras e não das lampréias. Seria a extinção do urso polar pior para o ecossistema do que a extinção de polinizadores, como as abelhas, por exemplo?

Este pensamento também é valido para outros seres vivos , como as bactérias, e outros microrganismos. Se os seres feios não recebem atenção, imaginem então os seres invisíveis?

Os microrganismos oxidadores de amônia, por exemplo, são responsáveis pela transformação de amônia em nitrito, passo fundamental da transformação do nitrogênio para uma forma utilizável pela maior parte dos seres vivos, tendo, portanto grande função ecológica. Será que algum dia veremos campanhas do tipo “ salvem as bactérias nitrificantes” ?

Visitem o blog do ecologista americano Nathan Yaussy, que aborda muito bem este tema.

Fonte: Discutindo Biologia

sábado, 7 de janeiro de 2012

Ruídos na comunicacao ambiental

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna, escritor e jornalista.

Os ruídos na comunicação ambiental podem atrapalhar o entendimento sobre consumo, recursos naturais, superpopulação, amadurecimento pessoal ou sobre a neutralidade na informação.
Quando se faz a crítica ao consumismo, por exemplo, não é ao ato de consumir, em si. Não há nada de errado em consumir. É o que fazemos, do berço ao túmulo. O que se critica é o consumo irresponsável; o desperdício, que destrói recursos que poderiam estar sendo melhor distribuídos; a redução da vida humana às dimensões de produzir numa ponta para consumir na outra.

Quando se alerta sobre o fato dos recursos naturais serem limitados não significa que não haja recursos no Planeta suficiente para todos. Há, até de sobra. O que se critica é a pegada ecológica desigual, onde uns poucos pegam muito mais que a maioria, só possível por que existe desigualdade social e falta de cidadania consciente e participativa na luta por políticas públicas.Quando se alerta para nossa superpopulação de 7 bilhões de humanos, não quer dizer que o Planeta não possa suportar esse número ou ainda mais gente. O que se critica é o fato da população estar se multiplicando numa velocidade muito maior que a capacidade dos governos e dos mercados em prover a todos de infraestrutura e condições dignas de sobrevivência, produzindo perversa e mesmo deliberadamente uma exclusão social que permite a concentração de renda e poder de uma minoria.

Também é equivocado imaginar que o mundo melhor que se deseja depende primeiro da evolução pessoal e espiritual dos indivíduos. As pessoas não amadurecem ao mesmo tempo, por isso a mudança para a sustentabilidade requer cidadania crítica e participativa, mecanismos legais e estruturas democráticas que assegurem iguais direitos e oportunidades para todos, em vez de imaginar, como o profeta, que gentileza gera gentileza. Se gerasse, não haveriam tantos estelionatários e pessoas que se aproveitam da boa vontade dos outras para obter vantagens.

Finalmente, não devemos nos iludir com a idéia de neutralidade em comunicação. Informar é o ato de escolher que parte da verdade queremos iluminar e que parte deixaremos nas sombras. Logo, o observador interfere diretamente na observação ao comunicar sobre ela. Assim como existem comunicadores a serviço da sustentabilidade, existem comunicadores a serviço de poluidores e organizações que trabalham para garantir privilégios e controle político, social e ambiental, para aumentar seus lucros, doa a quem doer. Refugiam-se na idéia de que apenas realizam o seu trabalho profissional e cumprem ordens.

Existem pessoas e organizações que tiram vantagem da atual situação e não querem ver seus ganhos e privilégios diminuídos. Então, podem se aproveitar dos ruídos na comunicação ambiental para manterem a opinião pública na dúvida e desmobilizada. À medida que os ruídos são identificados e eliminados, a opinião pública deixará de ser um alvo tão fácil nas mãos dos aproveitadores.

Fonte: Ecoagência de notícias (NEJ)